22 de fevereiro de 2016

Gilberto Dias, vocalista do Contato Vital, fala sobre o retorno da banda e o novo álbum “Tempos Modernos, Erros Antigos”

“Já tentou olhar / Tudo ao teu redor / E descobrir que falta / Sempre o melhor / Sempre triste está / Sempre em solidão / E vazio vive o seu coração”. Quem acompanhou a música evangélica brasileira feita em 1997 pode ter esbarrado em algum momento com esse som da banda Contato Vital. Os músicos, que se reuniram dois anos antes, eram um dos representantes do rock cristão feito na época. O som que surgiu entre amigos de infância logo se tornaria um dos sucessos na programação da Rádio El Shaday (atual 93 FM) e renderia um contrato pela MK Music (Publicitá na época). Após dois discos lançados pela gravadora – Idas e Voltas (1996) e O Melhor (1997) – os músicos lançaram ainda um álbum pela Top Gospel – A Marca (2004) – até decidirem dar um tempo na carreira.

Nove anos depois de período sabático, a banda – que atualmente conta com Mauro Lucas (guitarra e backing-vocal), Guedes (baixo), Gutto Vieira (bateria) e Gilberto Dias (vocalista desde a formação) – retornou ao mercado no ano passado lançando o CD Tempos Modernos, Erros Antigos e também o clipe da faixa Belas Catedrais, uma canção em forma de denúncia da falsa religiosidade vista ao redor do mundo. E com o intuito de anunciar a verdade que liberta, que Gilberto Dias concedeu essa entrevista ao Gospel no Divã para contar um pouco da história do Contato Vital, falar sobre o novo tempo da banda e como está sendo voltar à ativa em meio ao novo cenário da forma de fazer música. Acompanhe a seguir a entrevista e saiba mais sobre o grupo através do site www.contatovital.com.br:
 
Contato Vital voltou ao mercado em 2015 com nova formação e novo CD | Fotos: Divulgação
1. Vocês foram uma das bandas que marcaram o cenário gospel nos anos 90, surgindo para o mercado em 1995. Mas como começou a história do Contato Vital e o envolvimento de cada um de vocês com a música?
A banda surgiu entre amigos de infância, todos criados no Evangelho e atuantes na área da música, cada um na sua igreja.

2. Como surgiu a ideia do nome e vocês já pensavam em viver da música desde o início?
O nome surgiu da análise daquilo que entendemos que Jesus é na vida do ser humano: uma presença vital que dá sentido A existência que preenche o vazio que existe em todos que ainda não tiveram um real encontro com Ele. Quando iniciamos não havia a ideia de viver da música, apenas o desejo de anunciar a Palavra de Jesus através da música, que é o talento que Deus concedeu a cada um.

3. Quais eram as principais influências de vocês?
Temos influências bem diversificadas, desde o rock tradicional passando pelo blues e jazz. Somos bem ecléticos, gostamos de música boa.

4. Como era fazer rock para o público evangélico naquela época e inserir o estilo principalmente entre as igrejas?
Quando começamos, o caminho já tinha sido aberto por nomes como Janires, Rebanhão, Sinal de Alerta entre outros. Vivenciamos uma pressão menor, mas que ainda se mostrava presente em alguns locais.

5. Como nasceram suas primeiras canções e como era a receptividade do público?
Nasceram de maneira natural já que éramos do grupo de louvor da igreja. Na época, surgiram alguns festivais e nos concentramos em compor já que, para participar destes eventos, teríamos que apresentar músicas inéditas e a receptividade do público era intensa e motivadora.

O vocalista Gilberto Dias
6. Quando decidiram entrar em estúdio para gravar seu primeiro álbum – “Idas e Voltas (1996)” – e como foi a experiência?
Depois de algum tempo participando de vários eventos em diversas igrejas, tínhamos um repertório grande e o caminho natural era gravar esse material. Gravamos com recursos próprios e foi uma experiência enriquecedora.

7. Como surgiu o convite para entrar na MK Music e como foi fazer parte do cast da gravadora?
Com o material pronto fizemos uma primeira tiragem de CDs e decidimos divulgar o trabalho com spots publicitários na Rádio El Shaday (atual 93,3 FM) do RJ. Uma das músicas entrou na programação da rádio e, na primeira semana de execução, alcançou o primeiro lugar entre as mais pedidas. Este fato levou a MK a entrar em contato conosco e surgiu o convite para entrar para gravadora.

8. E como foi gravar o segundo disco – “O Melhor (1997)”? Que mudanças vocês sentiram com as experiências adquiridas na produção do disco anterior?
No segundo trabalho já tivemos uma estrutura melhor. Acesso a equipamentos mais modernos, já que no primeiro trabalho tivemos a limitação financeira.


9. Por que resolveram dar um tempo na carreira e só lançar um terceiro trabalho – “A Marca” – em 2004 e por outra gravadora?
Circunstâncias que são inerentes ao mercado fonográfico não contribuíram para que continuássemos na gravadora e optamos por dar um tempo e cada um se dedicou neste período a projetos pessoais. Em 2004, nosso amigo Sérgio Lopes estava na gravadora Top Gospel e tínhamos uma grande quantidade de material pronto e, por intermédio do Sérgio, negociamos a gravação de um trabalho com a Top Gospel. Foi um período complicado, pois já estávamos com os projetos individuais a todo vapor e tivemos que conciliar com a divulgação desse novo trabalho.

10. Como foi contar com a participação de Sergio Lopes no disco de vocês?
Foi maravilhoso tanto pela qualidade artística quanto pela figura humana que ele é: uma pessoa simples e sempre disposta a ajudar.

11. Após o “CD A Marca”, vocês novamente deram uma parada e só lançaram um novo trabalho no ano passado. Como está sendo retornar ao mercado depois de tanto tempo?
Exatamente por conta dos projetos que já estavam em andamento como a escola de música que alguns integrantes já tinham consolidado mais as atividades profissionais fora do meio musical. Não achamos viável continuar e nesse período o mercado fonográfico já dava sinais da transformação que sofreria com a força da internet e suas redes sociais.
    
A banda lançou os CDs Idas e Voltas (1996) e O Melhor (1997) pela MK Music e o CD A Marca (2004) pela Top Gospel, com participação especial de Sérgio Lopes
12. Vocês já pensaram em desistir da carreira em algum momento e, com o passar do tempo, vocês ainda mantêm a mesma formação?
Não seria radical em falar a palavra ‘desistir’, mas, com certeza, nesta fase que citei de transição que víamos o mercado sofrer não víamos motivação para continuar. Queríamos liberdade para tocar em temas mais profundos e o mercado estava dominado por clichês repetições do mesmo tema. O público estava ávido por algo novo, mas quem dominava o mercado preferia mais do mesmo. O que nos motivou a lançar esse novo trabalho foi a força que a internet ganhou na divulgação da música. A formação não é a original, vamos disponibilizar em nossa página o histórico da banda com foto e nome de todos que ajudaram desde o princípio a construir nossa história.

CD Tempos Modernos, Erros Antigos (2015)
13. O nome “Tempos Modernos, Erros Antigos” é bastante sugestivo. Como definiram repertório e quem foi responsável pela produção musical? Por que optaram por esse estilo e como chegaram ao conceito da capa?
O título nos leva a refletir sobre o avanço tecnológico que a humanidade alcançou e, no entanto, os erros que provocam todas as mazelas que afligem a todos nós continuam os mesmos. Já tínhamos material que vínhamos compondo e selecionamos as músicas que se adequavam a esta proposta. A produção ficou a cargo de Marcos Quarterolle, Gilberto Dias e nosso amigo Fill. do Studio Fillbuc Produções. A capa retrata o título do CD: o rosto de um robô e embaixo fica à mostra o rosto humano deteriorado pelo pecado.

14. Falando agora sobre o single “Belas Catedrais”, ele carrega em si o conceito do álbum com essa crítica a atual situação do Evangelho. Como foi a gravação do clipe, quem foram os responsáveis pelo projeto e como foi dar imagem à mensagem da canção?
O álbum não está ancorado nesta temática, mas resolvemos enfatizar a questão com esta música, pois vemos que de algumas décadas pra cá alguns segmentos chamados cristãos se mostram cada vez menos preocupados com a mensagem de arrependimento e conversão dos pecados, de uma verdadeira metanoia. Estão focados na teologia da prosperidade em campanhas que se utilizam de amuletos beirando ao sincretismo religioso. Toda concepção do clipe foi da própria banda.


15. Vocês começaram em 1995 e hoje em dia o jeito de consumir música mudou bastante com o avanço do digital e do streaming. Como está sendo a adaptação a esses novos tempos?
Foi uma mudança bem-vinda que tornou a música mais democrática. Hoje com equipamentos de qualidade se faz um trabalho em um Home Studio, mas há algum tempo era necessário um aparato gigantesco que tornava caríssima a produção de um trabalho e a plataforma digital faz com que o trabalho chegue com mais agilidade ao ouvinte.

16. “O Melhor” até hoje é lembrado como um dos grandes sucessos da banda, mas que outras canções nunca podem faltar nas apresentações do Contato Vital?
Tivemos músicas marcantes nos três trabalhos anteriores: Frágil Vida, Verso e Reverso, Geração Woodstock, A Marca são alguma delas.

17. Que mensagem vocês deixam para o público que acompanha a banda desde o início e para aqueles que começaram a conhecer o som de vocês?

Que busquem crescer no conhecimento da palavra de Deus porque o conhecimento liberta – “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará (João 8.32)”. Cristo é a verdade que liberta e liberta inclusive dos falsos profetas que usam o nome de Jesus em benefício próprio.

4 comentários:

  1. Muito boa a entrevista e o pensamento da banda com relação ao evangelho verdadeiro de Cristo,chega de comércio com a palavra de Deus.

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  2. Show..Adorei, muito boa a entrevista.

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  3. Arrasaram!! Adorei a entrevista.

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